Carlos Lucena não é mais o treinador do Gigantes do Norte.
Empresário assume o time, contrata novo comandante e promete construção de CT

Gigantes tradicional - Em pé: Cafu, Chimbinha,
Baé, Lúcio, Imperador, Léo,
Capacidade e Marcus. Agachados: Diego Souza,
Negueba, Vágner Love,
Raílson, Romarinho, Ageu e Pet (Foto: Pedro Cruz)
O time de anões mais famoso do Brasil não é mais o mesmo. Fundado
em 2006, o Gigantes do Norte teve um racha por brigas internas que fizeram com
que o técnico e um dos fundadores, Carlos Lucena, deixasse a equipe. No
entanto, o treinador resolveu começar de novo e montou um novo escrete. Cinco
anões o acompanharam, mas, depois, acabaram voltando atrás. Da equipe original,
somente o volante Mineiro continua com Lucena na nova empreitada. O técnico
garimpou “pequenos” craques, formando um plantel de 16 anões para um “Gigantes
do Norte 2”.
O motivo da separação é contraditório. A versão do ex-técnico diverge da
contada por Alberto, mais conhecido como “Capacidade”. O anão alega que Lucena
começou a tomar decisões sem avisar aos jogadores.
– Ele (Lucena) começou a brigar com os jogadores e resolveu sair para
montar o próprio time. As brigas começaram porque ele tomava decisões sem
consultar os jogadores. Além disso, o ônibus que usávamos para viajar tinha 20
assentos. Ele começou a levar a família e outros convidados, fazendo com que
alguns jogadores tivessem que ir sentados no chão. Essas atitudes foram, aos
poucos, irritando o pessoal, e os desentendimentos aumentaram.
Outra acusação, mais grave, feita por Capacidade, é com relação à
divisão do dinheiro arrecadado nas partidas amistosas. O anão afirma que Lucena
não repartia igualmente a quantia.
– Na hora de repartir o dinheiro ele pegava a maior parte, sobrando
pouco para nós – disse.
Do outro lado, Carlos Lucena rebate as acusações. Segundo ele, na sua
ausência, Capacidade criava intrigas entre os outros atletas.
– Todos sabem que eu que fiz esse time lá na Tuna (Luso). Eu que marcava
os jogos. Mas, como na época trabalhava na Tuna, nem sempre podia acompanhar os
times nas viagens. Então ele aproveitava e falava mal de mim para os outros
jogadores. Uma vez ele inventou que eu estava pegando dinheiro da equipe, o que
não é verdade.

Lúcio e Vágner Love (Foto: Pedro Cruz)
O atacante Vágner Love e o zagueiro Lúcio foram dois atletas que,
inicialmente, saíram junto com Lucena. Porém, resolveram voltar ao time de
Capacidade após promessas não cumpridas.
– O Lucena prometeu pagar salário mas, depois de seis meses, não tinha
depositado nada na minha conta - revelou Love.
Lúcio conta que a falta de treinos fez com que resolvesse voltar para
perto dos antigos companheiros.
- Lá nós treinávamos às terças e sextas-feiras. Só que os treinos foram
diminuindo até que só disputávamos os jogos sem preparação. Aqui temos um
rotina melhor e mais estrutura.
Vida nova
Brigas à parte, cada um dos times vive agora uma nova realidade. Depois
da saída de Lucena, Capacidade foi atrás da ajuda de parceiros para conseguir
tocar o projeto. Foi então que o amigo e empresário Relton Osvaldo resolveu
abraçar a causa e tirar o clube do amadorismo. A primeira atitude do agora
presidente do GN foi a de arranjar um novo treinador. Marcus Souza, o
Marquinhos, ex-técnico de futsal de Paysandu e COPM, foi chamado.
– Eu trabalhava como personal trainer do Relton. Ele me chamou para
treinar o time e eu topei – contou Marquinhos.
Promessa de construção de CT para os anões
Em seguida, iniciou-se o processo de profissionalização dos Gigantes.
Capacidade tornou-se diretor de futebol e tem a responsabilidade de agendar as
partidas. Marquinhos, além de técnico, acumula o cargo de Diretor Social e
Esportivo.
– Tínhamos dificuldade de conseguir patrocinadores porque o clube não
tinha nem CNPJ, então todos os acordos eram feitos verbalmente. A realidade
agora é outra. O próximo passo será patentear a marca Gigantes do Norte, para
evitar o uso indevido por outros times – contou o técnico, fazendo referência a
equipe de Lucena.
Loco Abreu (esq.) e Neymar (dir.) - Foto:
Divulgação
O time treina duas vezes por semana no campo society de uma academia da
cidade. Mas a previsão é de que o clube tenha um campo próprio em 2013. Um CT
está sendo construído na Ilha do Outeiro, que pertence ao distrito de Icoarací,
na Região Metropolitana de Belém.
– Lá teremos um campo só nosso, além de uma escola e um posto de saúde
para ajudar a comunidade próxima. Os anões poderão fazer cursos profissionalizantes
– como de eletricista, marcenaria e informática – para não dependerem somente
da renda dos jogos – explicou Marquinhos.
Os anões estão com a agenda cheia. Na madrugada desta sexta-feira (20) a
equipe viajou a Macapá para enfrentar o Sub-13 do Santana (AM). Na próxima
semana Os Gigantes do Norte excursionam pelo interior do Pará e Maranhão,
passando pelos municípios de Sapucaia, Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu
e Imperatriz (MA). Além de futebol society, o time também disputa amistosos de
futebol de campo, futsal e futebol de areia.
Do outro lado, a outra versão do Gigantes 2 aposta em novos nomes no
futebol de anões.
– O destaque do time é o Loco Abreu, o único anão japonês do Brasil. Mas
tem vários outros craques, como o Neymar, Messi, Ganso, Careca e Felipe
(Vasco). Tem também o Samuel Eto'o, que é zagueiro artilheiro - conta Carlos
Lucena.
Por Pedro Cruz | De Belém
Nenhum comentário:
Postar um comentário